quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Pouco barulho, pá....


Era um calmo serão familiar, com direito a jogo de cartas e tudo, quando um barulho estridente e incessante de buzinas irrompe pelos meus ouvidinhos adentro. Pensei para mim que esta aldeiazinha já não é o que era, que o trânsito tinha chegado ao pandeiro de Judas. Fui à janela, tentando resolver este enigma que se debatia dentro de mim: como é que uma rua sem saída como a minha podia ter trânsito?

E já a cãozoada toda cá das redondezas começava a ladrar como se não houvesse amanhã, desabituados que estão a que aqui a zona seja a personificação da bolsa de Tóquio. E era a Laura que não se calava, a perguntar se era o senhor dos congelados que vinha cá à rua - sim, a carrinha ridícula da Family Frost, para além daquela música tenebrosa, também buzina quando passa aqui. E a vizinhança toda abriu as persianas para ver a que se devia aquele estanderete todo. E pronto, confesso, eu também abri.

Era a caravana eleitoral. A caravana eleitoral... Dá para acreditar? Às 21h???

Recuso-me terminantemente a escrever o nome do partido político que se lembrou de vir fazer este chinfrim inqualificável cá à vilinha. E é certinho e direitinho que se vão lixar. Vejamos os votos que foram ao ar com este circo:


- todas as mães e pais de bebés que foram acordados com este banzé;

- todos os donos de cães que abriram as goelas até às entranhas;

- todas as mães e pais solteiros que têm filhos de 5 anos que, após o espectáculo, não se calaram a repetir o que dizia o altifilante do camião da caravana.


Tendo em conta que para estes lados quase todas as casas cumprem uma das três condições acima referidas, cheira-me que teria sido bem melhor terem ficado em casa a estrelar ovos.

segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Uau! Isso é que anda!....

Uma gaja levanta-se de manhã. com predisposição para um belo dia de fim de verão. O tempo até está ameno, a Laura acorda bem disposta, o início de manhã decorre dentro da normalidade. Conseguimos despachar-nos sem encanzinarmos logo à frente do armário na fase da escolha da toilette, a miúda veste-se sozinha sem precisar de ajudas de custo, não entornamos nada na cozinha, saímos a horas decentes de casa sem haver necessidade de ir a rasgar na estrada para chegarmos a tempo ao trabalho... enfim, tudo perfeito. E a meio do caminho aparece uma chafarica com o tubo de escape roto, armada em máquina do tempo, que insiste em não nos deixar entrar na via...

É triste... É triste pensar que existem Fitipaldis em Matosinhos que se borramentam de cima a baixo só para provar que a sua viatura com 20 anos ainda dá ratadas. Mais triste ainda é verificar que existem condutores que se confortam com o facto de terem impedido a passagem a um carro...

Caro condutor que me dificultou a vida por 3 segundos esta manhã:

Ainda bem que consegui fazer o seu dia mais feliz. Fico contente por ter alimentado o seu ego, abrandando ao de leve com o meu bólide que, em comparação com o seu, é o KIT. É para mim um prazer enorme auxiliá-lo na sua luta pela afirmação da sua virilidade. Eu tenho uma máxima que nunca perco de vista: temos que ser uns para os outros. Eu hoje fui para si. Quem sabe se um dia destes não será o senhor para mim. E é assim a vida, feita de pequenas permutas que nos fazem maiores....

quinta-feira, 6 de Agosto de 2009

É pôr os olhinhos nela....


A ver umas fotos das férias nas Maldivas de uns amigos, surge um caranguejo gigante. A Laura, muito despachada, informa que também já viu um exemplar igual. E quando os meus amigos perguntam:


- A sério, Laurinha? Onde?


A Laura, do alto da sua sapiência, responde:


- No Pingo Doce.


Fossem todos como a minha cria e não havia inveja neste mundo....

terça-feira, 7 de Julho de 2009

Oh, mãaaaaaaaaaaaaae, olha eles...


Hoje foi um dia especial por duas razões: conheci a Solita, que é uma riqueza, e de manhã não fui dar o ar da minha graça para a empresa.



Hoje foi dia de fazer exames médicos patrocinados pelo patronato. Obviamente que o estágio já começou há alguns dias, quando li na convocatória por email que teria que fazer análises. Quem me conhece sabe que me borro de medo de agulhas.

Nunca, mas nunca, fico a olhar para a preparação da chacina. Entro, sento-me na cadeira, faço paleio de circunstância com a senhora que me vai trucidar, sempre a olhar para o lado. A profissional de hoje era extremamente simpática, não obstante me fazer perguntas de mais para quem está em jejum às 08h30m, e estar com o megafone ligado. Compreendo perfeitamente que falem alto, dada a clientela que vi na sala de espera: pessoas de idade, moucas como armários, que nunca respondem à primeira chamada.

Após o rx pulmonar, dirigi-me para o edifício onde me seria feita a consulta médica. Sim, porque quem organiza estas gincanas é verdadeiramente iluminado: nada de marcar todo o sequencial de tortura no mesmo local, não, nada disso. Mandam-se os funcionários para 3 locais distintos, com espaços temporais entre exames bem apertadinhos, para ver se o pessoal se esfalfa todo, ou se se apaga de vez. Nada melhor que exercício físico, depois de nos terem chupado barbaramente 8745387 de sangue. Melhor do que isso, se possível: depois dos mongos andarem de um lado para o outro, em hora de ponta, no centro da cidade, prega-se-lhes uma sequita assim de meia hora entre os eventos, para descansarem. Chegaste a tempo? Como foste capaz de superar esta prova? Então seca aí na cadeira, que já te chamamos. E ai de ti, criatura hedionda, que ouses levantar a ceira para ir fumar um cigarrito para aguentar a esfrega. É nesse preciso momento que te chamamos e, como não estás, a tansa que chegou depois de ti irá ser atendida na tua vez.

O médico que me atendeu, com o seu blazer pied-de-poule, era uma figura. Desde o instante em que entrei até ter saído do gabinete que me apeteceu dizer-lhe o que digo à Laura: Puxa os óculos para cima!. Depois de lhe ter dito que fumo quase um maço por dia, o senhor não me auscultou. Mas pelo menos fiquei a saber que viveu dois anos na Alemanha, e que foi um forinha na tropa, e que não concordou com o facto de Portugal ter cedido a independência a Timor. E que conheceu a melhor amiga da esposa do Putin. E que a PIDE lhe abria as cartas que ele enviava à família. E que deu aulas na Universidade. E que os alunos podiam entrar e sair da aula quando quisessem.

Mas pelo menos estou saudável. Foi o que o senhor me disse.



terça-feira, 30 de Junho de 2009

Sr. Lei com costela de D. Juan


Calor abrasador. Laura dentro do carro, esgazeada de fome. Direcção: shopping mais próximo, para alimentar a criatura e comprar prenda de aniversário da minha mãe, para de seguida a levar à aula de ballet. 40 minutos para executar estas tarefas. Ora o que poderia acontecer para me encanzinar a engrenagem toda? Operação stop, naturalmente, e com polícias acabadinhos de sair da Academia, com as mãozinhas a tremer por preencher o livrinho de autos.

- Os seus documentos e os da viatura, por favor.

- Boa tarde, senhor agente. Concerteza.

(Procuro os documentos dentro da capa que arquiva cartas verdes desde 2002, selos desde 2002, certificados provisórios de seguro desde 2002)

- Está nervosa?

- Não, senhor agente, porque deveria estar? (ai o raio, mas eu tenho cara de criminosa? Só estou a suar em bica, Sr. Eu-estou-fardado-e-eu-prendo-pessoas-se-me-apetecer)

- Sabe que há um sítio chamado arquivo geral, onde se deve depositar papeis que já não estão em uso. (faz aquela cara paternalista, de quem: vá, procura, tansa, que eu aguardo)

- Sim, por acaso sei. Mas não tenho tido tempo...(um bófia com a mania que é forinha e cheio da piada, sim senhora, não me podia faltar mais nada...)

- Não me acredito que em 7 anos não tenha tido tempo de limpar essa capa... (espera aí, que tu hás-de ter muito a ver com o que eu faço com o meu tempo...)

- Acredite, Sr. Agente, se tivesse a minha vida, ia pedir para me dar! Muito trabalho, muito trabalho...(entrego-lhe os documentos, ciente que ia ser multada, uma vez que a morada da carta de condução não coincide com a da carta verde)

- Pois então diga-me lá a sua morada.

- Qual delas quer, Sr. Agente? A verdadeira, ou a falsa? É que mudei de casa há 6 meses, e ainda não tive tempo de ir actualizar a carta de condução. (Tanga, naturalmente, já saí de casa dos meus pais há 8 anos)

- E mora onde mesmo?

- Em ___.

- Ah, ali à beira da avenida principal?

- Sim, exacto, aliás só existe mesmo essa avenida, não existe mais nenhuma...

- E costuma ir ao café ___?

- Não, não.

- Mora naqueles prédios cor de tijolo, mesmo junto a___? (e de que forma contribui isso para a multa que vais passar, palhaço???)

- Sim, moro.

- Eu vou muito para esses lados. (Sim, e...que é que isso me interessa, escaravelho?)

A este momento, a Laura começa a dizer que vai morrer, que já sente a barriga a fazer barulho, com aquele ar de quem vai desfalecer a qualquer instante, e eu com vontade de lhe dizer que a culpa era toda do energúmeno que, a esta altura, já estava pendurado na janela.

- Sr. Agente, se tiver que me autuar, ia pedir-lhe que o fizesse, porque a minha filha está cheia de fome...(desaparece, mas é, besouro!)

- Desta vez, passa. Mas olhe que estarei aqui novamente dentro em breve, e se não tiver regularizado a situação, vou ter que tomar medidas...

- Muito obrigada pela atenção.



E zarpei dali. Antes que a Laura se lembrasse de lhe perguntar o que normalmente pergunta ao carteiro, ao Sr. do condomínio e ao distribuidor da pizza:

- Tens namorada?

terça-feira, 23 de Junho de 2009

Alguém fazia o obséquio de me explicar...


...se é grave? Se haverá solução através da psicocirurgia?


Foi mais ou menos assim: numa urgência, ligo para o consultório da minha dentista. Descubro que mudou para o cu de Judas. Ora eu, como paciente fidelíssima que sou (o tanas, tenho é um cagaço monumental de anestesias e a alminha tem uma paciência de Job para aturar os meus ataquinhos de sem-noção), marco consulta para o novo consultório, a 40 Km do antigo.


Auto-estrada. Reminisciências de um episódio antigo. Rio-me da situação. Consulta de dentista. Orçamento indigno de se apresentar a quem vem de tão longe para abrir a boca. Respiro fundo e decido solução temporária. A dentista não me cobra cheta, talvez sensibilizada pela minha reacção à proposta exorbitante apresentada. Abandono consultório - pelo menos foi de borla. A minha amiga C. telefona-me. Dou-lhe a triste notícia do enfardanço inescrupuloso, imoral e escandaloso de que vou ser vítima. Conversa flui para outros assuntos. Desligamos. A minha amiga M. liga-me. Dou-lhe a triste notícia do enfardanço inescrupuloso, imoral e escandaloso de que vou ser vítima. Conversa flui para outros assuntos. Chego à portagem. O meu cérebro pergunta-me onde está o talão da portagem. Eu não sei responder. Começo a puxar a cassete atrás. Não consigo visualizar o momento em que o dedo carrega no botão. Momento inexistente na cassete. Arrota 26,40€, outra vez.


A minha mente é especial, única, desassociada... E eu que me f...



quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Dia santo no Jardim Zoológico


A macaca fez anos hoje e, como tal, só grunhiu aí umas 10 vezes - a sua média diária de guinchos a décibeis que molestam o aparelho auditivo ronda os 859860.


O peixe-balão está fora, em formação - -rezo, com todas as minhas forças, para que venha de lá com o certificado de Eu-agora-já-sei-mandar,-sabem,-ensinaram-me-tudo assinado e já emoldurado para pendurar lá na jaula.


Que mais podia eu pedir?
Vá, vamos lá a parar com isso, sim? Não caem aviões todos os dias e a babuína ficou cá, ok?

segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Não tenho muita, não tenho muita, não tenho muita. Tá? Tá.


Ultimamente, tenho andado com um pequeno grande problema. De manhã é sempre o mesmo dilema: não tenho nada para vestir... E quando digo nada, é nada mesmo. Aliás, gaja que é gaja sabe muito bem qual é a sensação de abrir o armário, percorrer com os olhos os cabides com a roupa pendurada e verificar que não tem nada para vestir.

As calças que outrora fizeram sensação já não sabem ao mesmo. A camisola que assentava impecavelmente em tempos, agora já não tem o mesmo efeito. Em suma, cada peça que lá está guardada não faz o mínimo sentido neste momento histórico da minha existência. Ou seja, não tenho NADA para vestir.

Tentando minimizar os efeitos que um mau modelito pode causar na minha reputação, fui tentar comprar qualquer coisita que me alegrasse o espírito. Escolho uma saia comprida até aos pés, daquelas super fashion, rodada, às cores e dirijo-me ao provador para experimentar. Dispo as minhas calças e preparo-me para içar uma perna para dentro da saia, e... PÁRA TUDO: quando, de repente, olho de soslaio para o espelho, estarreço. Era a maior concentração de celulite por centímetro quadrado alguma vez vista num rabo de mulher.

Passa-me tudo pela cabecinha: escaqueirar os espelhos do provador um a um, deixar aquela loja em frangalhos... Mas tudo o que fiz foi comprar a porcaria da saia, que sempre era até aos pés, e por isso as misérias estavam escondidas. Saí da loja com o ego a lamber o chão e mais tesa ainda.

Em desepero de causa, entro noutra loja, disposta a comprar umas calças de ganga, bem escurinhas, bem discretinhas, bem tapadinhas. E lá fui eu para o provador, triste como a noite, a sentir-me a maior magra obesa da história da humanidade. Ao despir as minhas calças, esforçava-me por olhar para o chão, mas o chamamento era forte. É que parece que quanto mais levamos na trombeta, mais nos esticamos para dar as fuças ao murro. E foi quando estava prestes a ter um esgotamento que, ao olhar para o espelho, vi que afinal, a coisa era mínima, nada que um cremezito de supermercado e 4387493 aplicações não resolvam.

E percebi a marosca toda. Portanto, criaturas vis da loja ao lado, peguem em vocês e nas luzes maradas do raio dos vossos provadores, e.... Pronto. Como sou magnânime, vou abster-me de fazer sugestões.

terça-feira, 2 de Junho de 2009

Aos filmes que faço, já devia ter ganho qualquer merdinha...


Eu gostava de escrever qualquer coisinha realmente interessante, minimamente engraçada, como é o meu estilo... Mas infelizmente e para mal dos meus pecados, não tenho andado com grande vontade para cá vir depositar o que vem tropeçando aos trambolhões pelo meu encéfalo ultimamente. Porque são pensamentos meus, idéias diarréicas que me assolam, que iriam, no fim de contas, pôr a nu (não, não delirem, que sou muito magra) uma XS que não me apetece mostrar.


Têm havido grandes sessões de verdadeira pancadaria nas minhas entranhas. E este folhetim trágico-marítimo só me acontece quando começo a pensar em coisas que não devo... Quem me ouvir ou ler há-de pensar que a minha conta bancária passou a estar com saldo positivo permanente. Não. Continuo a mesma tesa de sempre, sem cheta para mandar cantar um cego. Só acumulo mais um pensamento de merda na cabeça. Só isso.


E é assim, a vidinha. Aquela emoção: comer, dormir, trabalhar e pensar em merda.


Volto assim que o picheleiro vier desentupir o esgoto.



domingo, 24 de Maio de 2009

Regra nº 1: nunca arruinar um sonho


- Mamã, quando é que as minhas mamocas vão crescer?


- Quando fores maiorzinha, Laura.


Não fui capaz de lhe dizer que, a tomar em consideração a lei da hereditariedade, esta será uma questão que ela colocará até ao fim da sua existência...


terça-feira, 19 de Maio de 2009

Eu já disse que ia legar o meu cérebro à ciência, não disse?

Esta música faz-me sempre lembrar a minha amiga A. e o dia em que ela foi colocar as suas fantásticas unhas de gel. Tarefas como abrir um iogurte, pegar em objectos pousados em superfícies planas ou desabotoar o casaco eram para esquecer...

segunda-feira, 18 de Maio de 2009

É pena... Cheira-me que davas uma óptima vendedora ambulante...

A primeira página da Dica da Semana do LIDL que hoje retirei da minha caixa do correio é ocupada com uma foto desta senhora que, pelo vistos, é muito conhecida no mundo tauromáquico, com a legenda: "Tenho imensos sonhos"



Só três coisinhas a sublinhar:

- com essa fronha, tens mesmo que continuar a sonhar;

- não mudes de cabeleireira, não...;

- e se fosses espetar a farpa no...?

quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Aluga-se loja, baratinha, baratinha


Cá para os lados do meu barraco, duas ruazitas acima, existe uma moradia adapatada, cujo andar de baixo está convertido em duas lojas de rua. Uma delas está ocupada pelos próprios donos da casa com um negócio em franca expansão, sempre a florescer e com freguesia garantidíssima. A outra está para alugar desde que vim morar para cá. Os senhorios bem tentam colocar cartazes apelativos para incentivar ao arrendamento, mas a loja continua às moscas. Nunca foi alugada.

A loja é jeitosa, arejada e com óptimo aspecto. A loja tem luz directa todo dia. A loja está na rua principal. Não entendo...

Que mal tem ser paredes meias com uma agência funerária? Fogo! Pessoalzinho exigente...

domingo, 10 de Maio de 2009

Quando a bicharada se reúne


O que eu trouxe do encontro anual da firma?


- Uma festinha no cabelo do director do departamento;

- a directora financeira pegou-me literalmente ao colo, para tentar estimar sobre o meu peso.


Conclusão:


- ou já me ... ou estão para me...

quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Eu não sou de intrigas, mas...



O meu amigo P. fez-me a observação hoje, e sou obrigada a concordar. A senhora não parece a Belle Dominique em fase terminal?