Há algo que me anda a preocupar desde o dia em que soube onde ia passar este ano a consoada. Não é que eu não goste de ir a casa da minha prima M., mas a mãezinha dela, que por acaso até é minha tia, põe em relevo o que de pior há em mim. A minha tia Lita é aquele tipo de pessoa sempre maldisposta, com a cara cerrada, que nas alturas mais inoportunas ataca as conversas alheias com comentários completamente desnecessários e desagradáveis. Normalmente, a família costuma, por uma questão de educação, não responder, e continuar a conversar como se o besouro não existisse. Contudo, por vezes, quando os comentários me tocam directa ou indirectamente a mim, a coisa dá sopa.
Tendo em conta que a Laura só passa o Natal comigo de dois em dois anos, antevejo-me a engolir alguns sapos durante aquela noite apenas para que este seja um momento memorável para a minha cria.
Conservo no fundo do meu ser a esperança que, do ano passado para este, a minha tia tenha contraído uma doença temporária qualquer que a incapacite de falar. Não peço que a imobilize ou que a prive de lucidez, não. Só que a cale até ao final do dia 25....
(Raios, sempre gostava de saber porque razão tem ela direito a ser chamada por um diminutivo. Até consigo entender que, quando ela nasceu, a minha avó achasse o nome algo comprido e atalhasse para Lita. Mas não terá ela percebido, lá por volta dos 3 anos (mais coisa, menos coisa), que ela nunca iria ser uma Ita, mas sim uma Ona?)