terça-feira, 25 de maio de 2010

Por amor de Deus...ou do papa, sei lá...




Uma gaja tenta inscrever a miúda na escola e depara-se com 1001 dificuldades:



- é a obesa da secretaria que não levanta o ceirão para dar informações;


- é a quantidade infinita de papéis com informação repetida a preencher;


- é a sanha de reunir documentos originais e fotocópias dos mesmos.



A última peripécia nesta dolorosa e penosa caminhada foi conseguir que me passassem uma famigerada declaração que atestasse que a Laura tem as vacinas todas em dia, não vai pegar difteria a ninguém e se morder não tem raiva.


A coisa começa logo por conseguir que sua realeza a telefonista me coloque em contacto com o corpo de enfermagem. Oh, tarefazinha mais rebuscada, dotada de sapiência elevada... Achei eu que carregar em 3 botões do PBX fosse canja laranja para o jarrão Ming que me atendeu o telefone. Mas não... e porque essas declarações não se passam, e porque a escola tem que aceitar o boletim como comprovativo e blá, blá, blá... Uma gaja tem que se indispor e falar grosso para conseguir chegar à fala com a enfermeira chefe substituta, contar a vidinha toda, predispor-se a elaborar uma declaração-modelo (sua excelência nunca tinha passado nenhuma...) para que lhe passem um papel que mais não é que um print da base de dados do centro de saúde, devidamente carimbado e assinado....


Valha-me Deus...Socorro... Em que estado estamos!


Chego a duas conclusões, para mal dos meus pecados:


- o mais difícil não é falar com o patrão, mas sim conseguir passar pela energúmena da secretária;

- todas as profissões deveriam ter como disciplina base de formação o Português. Parece-me essencial, não sei....

terça-feira, 4 de maio de 2010

Espelho meu, espelho meu...


Ninguém me consegue convencer que o pessoal que projecta os parques de estacionamento não está mancomunado com a classe dos mecânicos. Não vejo outra razão que explique o facto da maioria apresentar lugares que mais parecem destinados aos triciclos da ganapada!

E aqueles pilares brutais magníficos colocados estrategicamente para uma gaja destruir metade do seu bólide? Um assombro... Está uma gaja a fazer a manobra a achar que o carro vai entrar, vai entrar, vai entrar, e toma... era uma vez um espelho!


Estou mesmo a vê-los, qual corja a congeminar:


- Mete aqui o pilar, aí com 1 mt de diâmetro, que pelo menos tens 4 carros aviados por dia.


- Essa parede tem que ser mais espessa. E carrega bem nesse ângulo de curvatura. A média de colisão prevista é de 9 carros.


- Coloca-me essa rampa mais inclinada. O pessoal tem que se borrar todo para fazer ponto de embraiagem ao inserir o ticket para sair.


Por isso, sempre que saio de um parque de estacionamento com o meu carrinho ileso (que não foi o caso de hoje) estou sempre a ver onde pára o mecânico mais próximo.


Esta história é concertação entre a ordem dos arquitectos e a dos mecânicos. Ninguém me tira da cabeça.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Perdoa, querida mãezinha, este teu rebento....






Minha mãezinha querida, essência do meu ser, da próxima vez que decidires oferecer um CD à tua riqueza de neta, pede-me a opinião, por favor. Ou então, compras o dito, leva-lo para os teus aposentos reais, e coloca-lo em modo repeat umas 8759475340509 vezes. SÓ e SE conseguires terminar esta tarefa com a tua sanidade mental intacta terás autorização para fazer doações em vida de bandas sonoras com títulos tais como : O mundo da Patty - a história mais bonita.



A única explicação que me ocorre é a de eu ter sido verdadeiramente insuportável em miúda. Só pode ser isso. Que semente de vida torcida devo ter sido, para a minha mãe me castigar desta forma torpe...



Chamo requinte de vilania elevado ao seu expoente máximo ao facto do CD incluir todas as ditas músicas em versão Karaoke....



PS: E a catraia ainda me diz que o raio da caixa de óculos é linda de morrer....


segunda-feira, 19 de abril de 2010

E agora algo completamente diferente..


E quando estamos que não nos cabe um feijão no real, eis que nos telefonam a dizer-nos para relaxar o músculo, que estão a dar o litro por nós.


Priceless mesmo. Obrigada, M.


PS: Para quem veio cá à espera de um post típico da XS, hoje correu mal. Estou sentimental. Pindérica, mesmo.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Vou-te comprar uns óculos, macaca... A ver se te mancas...


Ser inscrita pela nossa chefia (o caso mais prático e gritante que conheço de burrice emocional e sensorial extrema e etc) numa formação denominada "Inteligência Emocional e Eficácia pessoal" só porque não temos um problema de costas que nos faz lamber o chão que ele pisa, é mau.

Pior ainda é ouvirmos a macaca dizer que foi inscrita pelo mesmo peixe-balão nesta formação porque está na empresa há muitos anos e de momento não há assim grande oferta de formações para inscrição.

Péssimo, quase, quase a roçar o lodo total, é a babuína referir que esta formação é óptima para reciclar conhecimentos.

Macaca, não queria ferir-te os sentimentos, mas tenho uma revelação a fazer-te:

Esta formação está para ti como o Manuel Luis Goucha está para as manhãs da TVI. Osmose total, percebeste?

Ah, e só reciclamos conhecimentos quando os possuimos, tá?

Tenho para mim que andas a comer umas bananas estragadas... Ou isso ou andas a dar-lhe forte no vinho tinto de pacote.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Oh, valha-me Deus....


A hora das refeições com a Laura é sempre para morrer. A catraia fala, fala, fala e comer que é bom, fica para amanhã. As pessoas já terminaram a refeição há séculos e lá continua ela, heróica no seu posto, ainda com o prato cheio, a falar, a cantar ópera, e a tentar negociar o que fica a ganhar ranço cá fora e o que vai entrar no nobre circuito digestivo de sua alteza.

Eu e ele: Laura, agora, não podes falar, tens que comer. E só depois de teres comido tudo é que podes voltar a falar.

E é exactamente neste ponto que ocorre um fenómeno laural que desconhecia até à data. A criaturinha irrompe num choro compulsivo, com ranho até ao pescoço (nham, nham...), com direito a soluços daqueles em que o bife de frango hesita entre seguir pelo canal correcto ou optar pelo do nariz.


Laura: Mas eu tenho voz!

Podem fazer tudo à minha miúda. Esquartejá-la, virá-la ao contrário, espancá-la quiça... Mas nunca, NUNCA, a mandem fazer silêncio.

Para vosso bem. Se quiserem manter o pavilhão auditivo intacto.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Trata de alma, trata, porque o corpo já era...


Alguém se importa de me informar como se retira o ornamento de avestruz que se encontra no vidro do meu carro?

PS: Gostava de evitar a espátula...

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Barato o c%#%#!!!!


E é assim que se aprendem lições de vida. Quem me manda a mim ir armada em D. Branca, a banqueira do povo, às compras?

Vou eu fazer as comprinhas da semana, a dizer para mim própria que desta vez ia levar tudo, mas tudo, de marca branca, que a vida está cara, e blá, blá, blá, e que o mês, embora seja mais curto do que os outros, está é a esticar-se para caraças este ano e tenho que poupar. E vai de levar iogurtes da marca do hiper, toalhitas da marca do hiper, fiambre e queijo da marca do hiper, papel higiénico da marca do hiper e ...

PÁRA TUDO! Ora aqui está coisinha que não se pode deixar de comprar de qualidade. Provavelmente só quem passou pela experiência magnífica de se limpar a um ouriço cacheiro sabe do que estou a falar. A coisa é mais custosa do que uma lixa, isso eu posso garantir. E não se resume apenas ao acto da higiene, propriamente dito. A sensação de que fomos depilados 700 vezes com cera no mesmo sítio perdura eternamente, ou antes, até à próxima descarga intestinal (delgadal, ou grossal...), em que se está naqueles 5 cinco segundos após, a pensar: "Ufa, já está", e nos lembramos no 6º segundo seguinte que chegou a hora da rebarbadeira entrar em acção novamente. Mas quem foi o fabricante que achou que nasciam calos a alguém em sítios destes????

Portanto, conselho bom e de borla: não se compra papel higiénico de marcas brancas, tá? Tá.

Sou mais que vossa mãe.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Ordinarona...

Há frases que proferimos na nossa ingenuidade que resultam terrivelmente, depois de ouvirmos a resposta do interlocutor a quem as dirigimos. Exemplo:
Eu: Comia esta menina... as costelinhas, os bracinhos..
Laura: Então come-me toda!
E eu mandei-a falar baixo. Se alguém ouvia, era muito capaz de ter a Protecção de Menores à porta em 10 minutos....
PS: Este palavreado tem que mudar. Se a ouço a proferir esta frase nem que seja daqui a 20 anos, desfaço-a de pancada!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Foi h]a 6 anos e 9 meses...


Aviso> O meu teclado est]a como se pode ver> desconfigurado. Quem se conseguir safar e perceber o post, parab]ens, pode considerar/se um ser superior e distinto.



Hoje a Laura faz 6 anos. Como n\ao podia deixar de ser, h]a dias que ando a cogitar na prenda a oferecer. ]E que isto de fazer anos perto do Natal arrasa com uma gaja, pois as id]eias esgotam/se todas por volta de fins de Novembro... Mas confesso que este ano a escolha esteve, at]e, facilitada. E tudo }a conta do dia em que o Azeit\ao se finou. Passo a explicar.



H]a algum tempo que a Laura me andava a pedir um animal de estima;\ao _ um gato, um c\ao, qualquer coisa que se mexesse sem necessitar de pilhas. Ora como a minha experiencia com o casal maravilha de agapones foi literalmente para esquecer, tentei logo demover a minha cria das op;\oes apresentadas, pois estava j]a a ver/me de ceir\ao para o ar a apanhar pelos todos os dias... E a mi]uda n\ao tem mais nada> apanhou um caracol na rua, ao qual resolvemos posteriormente chamar Azeit\ao, e trouxe/o para o nosso lar. Sim, para a nossa rica casinha... E eu fui obrigada a engolir em seco e a trat]a/lo como um pequeno rebento, um pequeno beb]e, semente de vida acabada de plantar... E, eu sem sequer saber o que o desgra;ado comia, l]a punha uma folhita de alface e migalhas de p\ao, para ver se o gajo vingava, dentro da caixinha de cartao, bercinho mais lindo....



Como ]e obvio, o miser]avel durou uma semana. Esganadinho de fome, suponho, bateu a bota, finou/se. E a mi]uda, coitada, l]a se conformou _ o infeliz tinha ido desta para melhor, e la] estava ela sozinha no mundo outra vez, a ter que lutar contra o universo sem companhia...



Hoje resolveu/se, ent\ao, esta desgra;a. Compraram/se duas tartarugas deliciosas, que se Deus quiser (e rezo para que n\ao queira) crescer\ao at]e aos 30cm. A ver se a catraia as defaz antes disso....



PS> isto do teclado est]a agreste, est]a.... Mas o dia era especial de corrida!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Pouco barulho, pá....


Era um calmo serão familiar, com direito a jogo de cartas e tudo, quando um barulho estridente e incessante de buzinas irrompe pelos meus ouvidinhos adentro. Pensei para mim que esta aldeiazinha já não é o que era, que o trânsito tinha chegado ao pandeiro de Judas. Fui à janela, tentando resolver este enigma que se debatia dentro de mim: como é que uma rua sem saída como a minha podia ter trânsito?

E já a cãozoada toda cá das redondezas começava a ladrar como se não houvesse amanhã, desabituados que estão a que aqui a zona seja a personificação da bolsa de Tóquio. E era a Laura que não se calava, a perguntar se era o senhor dos congelados que vinha cá à rua - sim, a carrinha ridícula da Family Frost, para além daquela música tenebrosa, também buzina quando passa aqui. E a vizinhança toda abriu as persianas para ver a que se devia aquele estanderete todo. E pronto, confesso, eu também abri.

Era a caravana eleitoral. A caravana eleitoral... Dá para acreditar? Às 21h???

Recuso-me terminantemente a escrever o nome do partido político que se lembrou de vir fazer este chinfrim inqualificável cá à vilinha. E é certinho e direitinho que se vão lixar. Vejamos os votos que foram ao ar com este circo:


- todas as mães e pais de bebés que foram acordados com este banzé;

- todos os donos de cães que abriram as goelas até às entranhas;

- todas as mães e pais solteiros que têm filhos de 5 anos que, após o espectáculo, não se calaram a repetir o que dizia o altifilante do camião da caravana.


Tendo em conta que para estes lados quase todas as casas cumprem uma das três condições acima referidas, cheira-me que teria sido bem melhor terem ficado em casa a estrelar ovos.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Uau! Isso é que anda!....

Uma gaja levanta-se de manhã. com predisposição para um belo dia de fim de verão. O tempo até está ameno, a Laura acorda bem disposta, o início de manhã decorre dentro da normalidade. Conseguimos despachar-nos sem encanzinarmos logo à frente do armário na fase da escolha da toilette, a miúda veste-se sozinha sem precisar de ajudas de custo, não entornamos nada na cozinha, saímos a horas decentes de casa sem haver necessidade de ir a rasgar na estrada para chegarmos a tempo ao trabalho... enfim, tudo perfeito. E a meio do caminho aparece uma chafarica com o tubo de escape roto, armada em máquina do tempo, que insiste em não nos deixar entrar na via...

É triste... É triste pensar que existem Fitipaldis em Matosinhos que se borramentam de cima a baixo só para provar que a sua viatura com 20 anos ainda dá ratadas. Mais triste ainda é verificar que existem condutores que se confortam com o facto de terem impedido a passagem a um carro...

Caro condutor que me dificultou a vida por 3 segundos esta manhã:

Ainda bem que consegui fazer o seu dia mais feliz. Fico contente por ter alimentado o seu ego, abrandando ao de leve com o meu bólide que, em comparação com o seu, é o KIT. É para mim um prazer enorme auxiliá-lo na sua luta pela afirmação da sua virilidade. Eu tenho uma máxima que nunca perco de vista: temos que ser uns para os outros. Eu hoje fui para si. Quem sabe se um dia destes não será o senhor para mim. E é assim a vida, feita de pequenas permutas que nos fazem maiores....

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

É pôr os olhinhos nela....


A ver umas fotos das férias nas Maldivas de uns amigos, surge um caranguejo gigante. A Laura, muito despachada, informa que também já viu um exemplar igual. E quando os meus amigos perguntam:


- A sério, Laurinha? Onde?


A Laura, do alto da sua sapiência, responde:


- No Pingo Doce.


Fossem todos como a minha cria e não havia inveja neste mundo....

terça-feira, 7 de julho de 2009

Oh, mãaaaaaaaaaaaaae, olha eles...


Hoje foi um dia especial por duas razões: conheci a Solita, que é uma riqueza, e de manhã não fui dar o ar da minha graça para a empresa.



Hoje foi dia de fazer exames médicos patrocinados pelo patronato. Obviamente que o estágio já começou há alguns dias, quando li na convocatória por email que teria que fazer análises. Quem me conhece sabe que me borro de medo de agulhas.

Nunca, mas nunca, fico a olhar para a preparação da chacina. Entro, sento-me na cadeira, faço paleio de circunstância com a senhora que me vai trucidar, sempre a olhar para o lado. A profissional de hoje era extremamente simpática, não obstante me fazer perguntas de mais para quem está em jejum às 08h30m, e estar com o megafone ligado. Compreendo perfeitamente que falem alto, dada a clientela que vi na sala de espera: pessoas de idade, moucas como armários, que nunca respondem à primeira chamada.

Após o rx pulmonar, dirigi-me para o edifício onde me seria feita a consulta médica. Sim, porque quem organiza estas gincanas é verdadeiramente iluminado: nada de marcar todo o sequencial de tortura no mesmo local, não, nada disso. Mandam-se os funcionários para 3 locais distintos, com espaços temporais entre exames bem apertadinhos, para ver se o pessoal se esfalfa todo, ou se se apaga de vez. Nada melhor que exercício físico, depois de nos terem chupado barbaramente 8745387 de sangue. Melhor do que isso, se possível: depois dos mongos andarem de um lado para o outro, em hora de ponta, no centro da cidade, prega-se-lhes uma sequita assim de meia hora entre os eventos, para descansarem. Chegaste a tempo? Como foste capaz de superar esta prova? Então seca aí na cadeira, que já te chamamos. E ai de ti, criatura hedionda, que ouses levantar a ceira para ir fumar um cigarrito para aguentar a esfrega. É nesse preciso momento que te chamamos e, como não estás, a tansa que chegou depois de ti irá ser atendida na tua vez.

O médico que me atendeu, com o seu blazer pied-de-poule, era uma figura. Desde o instante em que entrei até ter saído do gabinete que me apeteceu dizer-lhe o que digo à Laura: Puxa os óculos para cima!. Depois de lhe ter dito que fumo quase um maço por dia, o senhor não me auscultou. Mas pelo menos fiquei a saber que viveu dois anos na Alemanha, e que foi um forinha na tropa, e que não concordou com o facto de Portugal ter cedido a independência a Timor. E que conheceu a melhor amiga da esposa do Putin. E que a PIDE lhe abria as cartas que ele enviava à família. E que deu aulas na Universidade. E que os alunos podiam entrar e sair da aula quando quisessem.

Mas pelo menos estou saudável. Foi o que o senhor me disse.



terça-feira, 30 de junho de 2009

Sr. Lei com costela de D. Juan


Calor abrasador. Laura dentro do carro, esgazeada de fome. Direcção: shopping mais próximo, para alimentar a criatura e comprar prenda de aniversário da minha mãe, para de seguida a levar à aula de ballet. 40 minutos para executar estas tarefas. Ora o que poderia acontecer para me encanzinar a engrenagem toda? Operação stop, naturalmente, e com polícias acabadinhos de sair da Academia, com as mãozinhas a tremer por preencher o livrinho de autos.

- Os seus documentos e os da viatura, por favor.

- Boa tarde, senhor agente. Concerteza.

(Procuro os documentos dentro da capa que arquiva cartas verdes desde 2002, selos desde 2002, certificados provisórios de seguro desde 2002)

- Está nervosa?

- Não, senhor agente, porque deveria estar? (ai o raio, mas eu tenho cara de criminosa? Só estou a suar em bica, Sr. Eu-estou-fardado-e-eu-prendo-pessoas-se-me-apetecer)

- Sabe que há um sítio chamado arquivo geral, onde se deve depositar papeis que já não estão em uso. (faz aquela cara paternalista, de quem: vá, procura, tansa, que eu aguardo)

- Sim, por acaso sei. Mas não tenho tido tempo...(um bófia com a mania que é forinha e cheio da piada, sim senhora, não me podia faltar mais nada...)

- Não me acredito que em 7 anos não tenha tido tempo de limpar essa capa... (espera aí, que tu hás-de ter muito a ver com o que eu faço com o meu tempo...)

- Acredite, Sr. Agente, se tivesse a minha vida, ia pedir para me dar! Muito trabalho, muito trabalho...(entrego-lhe os documentos, ciente que ia ser multada, uma vez que a morada da carta de condução não coincide com a da carta verde)

- Pois então diga-me lá a sua morada.

- Qual delas quer, Sr. Agente? A verdadeira, ou a falsa? É que mudei de casa há 6 meses, e ainda não tive tempo de ir actualizar a carta de condução. (Tanga, naturalmente, já saí de casa dos meus pais há 8 anos)

- E mora onde mesmo?

- Em ___.

- Ah, ali à beira da avenida principal?

- Sim, exacto, aliás só existe mesmo essa avenida, não existe mais nenhuma...

- E costuma ir ao café ___?

- Não, não.

- Mora naqueles prédios cor de tijolo, mesmo junto a___? (e de que forma contribui isso para a multa que vais passar, palhaço???)

- Sim, moro.

- Eu vou muito para esses lados. (Sim, e...que é que isso me interessa, escaravelho?)

A este momento, a Laura começa a dizer que vai morrer, que já sente a barriga a fazer barulho, com aquele ar de quem vai desfalecer a qualquer instante, e eu com vontade de lhe dizer que a culpa era toda do energúmeno que, a esta altura, já estava pendurado na janela.

- Sr. Agente, se tiver que me autuar, ia pedir-lhe que o fizesse, porque a minha filha está cheia de fome...(desaparece, mas é, besouro!)

- Desta vez, passa. Mas olhe que estarei aqui novamente dentro em breve, e se não tiver regularizado a situação, vou ter que tomar medidas...

- Muito obrigada pela atenção.



E zarpei dali. Antes que a Laura se lembrasse de lhe perguntar o que normalmente pergunta ao carteiro, ao Sr. do condomínio e ao distribuidor da pizza:

- Tens namorada?

terça-feira, 23 de junho de 2009

Alguém fazia o obséquio de me explicar...


...se é grave? Se haverá solução através da psicocirurgia?


Foi mais ou menos assim: numa urgência, ligo para o consultório da minha dentista. Descubro que mudou para o cu de Judas. Ora eu, como paciente fidelíssima que sou (o tanas, tenho é um cagaço monumental de anestesias e a alminha tem uma paciência de Job para aturar os meus ataquinhos de sem-noção), marco consulta para o novo consultório, a 40 Km do antigo.


Auto-estrada. Reminisciências de um episódio antigo. Rio-me da situação. Consulta de dentista. Orçamento indigno de se apresentar a quem vem de tão longe para abrir a boca. Respiro fundo e decido solução temporária. A dentista não me cobra cheta, talvez sensibilizada pela minha reacção à proposta exorbitante apresentada. Abandono consultório - pelo menos foi de borla. A minha amiga C. telefona-me. Dou-lhe a triste notícia do enfardanço inescrupuloso, imoral e escandaloso de que vou ser vítima. Conversa flui para outros assuntos. Desligamos. A minha amiga M. liga-me. Dou-lhe a triste notícia do enfardanço inescrupuloso, imoral e escandaloso de que vou ser vítima. Conversa flui para outros assuntos. Chego à portagem. O meu cérebro pergunta-me onde está o talão da portagem. Eu não sei responder. Começo a puxar a cassete atrás. Não consigo visualizar o momento em que o dedo carrega no botão. Momento inexistente na cassete. Arrota 26,40€, outra vez.


A minha mente é especial, única, desassociada... E eu que me f...



quinta-feira, 18 de junho de 2009

Dia santo no Jardim Zoológico


A macaca fez anos hoje e, como tal, só grunhiu aí umas 10 vezes - a sua média diária de guinchos a décibeis que molestam o aparelho auditivo ronda os 859860.


O peixe-balão está fora, em formação - -rezo, com todas as minhas forças, para que venha de lá com o certificado de Eu-agora-já-sei-mandar,-sabem,-ensinaram-me-tudo assinado e já emoldurado para pendurar lá na jaula.


Que mais podia eu pedir?
Vá, vamos lá a parar com isso, sim? Não caem aviões todos os dias e a babuína ficou cá, ok?

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Não tenho muita, não tenho muita, não tenho muita. Tá? Tá.


Ultimamente, tenho andado com um pequeno grande problema. De manhã é sempre o mesmo dilema: não tenho nada para vestir... E quando digo nada, é nada mesmo. Aliás, gaja que é gaja sabe muito bem qual é a sensação de abrir o armário, percorrer com os olhos os cabides com a roupa pendurada e verificar que não tem nada para vestir.

As calças que outrora fizeram sensação já não sabem ao mesmo. A camisola que assentava impecavelmente em tempos, agora já não tem o mesmo efeito. Em suma, cada peça que lá está guardada não faz o mínimo sentido neste momento histórico da minha existência. Ou seja, não tenho NADA para vestir.

Tentando minimizar os efeitos que um mau modelito pode causar na minha reputação, fui tentar comprar qualquer coisita que me alegrasse o espírito. Escolho uma saia comprida até aos pés, daquelas super fashion, rodada, às cores e dirijo-me ao provador para experimentar. Dispo as minhas calças e preparo-me para içar uma perna para dentro da saia, e... PÁRA TUDO: quando, de repente, olho de soslaio para o espelho, estarreço. Era a maior concentração de celulite por centímetro quadrado alguma vez vista num rabo de mulher.

Passa-me tudo pela cabecinha: escaqueirar os espelhos do provador um a um, deixar aquela loja em frangalhos... Mas tudo o que fiz foi comprar a porcaria da saia, que sempre era até aos pés, e por isso as misérias estavam escondidas. Saí da loja com o ego a lamber o chão e mais tesa ainda.

Em desepero de causa, entro noutra loja, disposta a comprar umas calças de ganga, bem escurinhas, bem discretinhas, bem tapadinhas. E lá fui eu para o provador, triste como a noite, a sentir-me a maior magra obesa da história da humanidade. Ao despir as minhas calças, esforçava-me por olhar para o chão, mas o chamamento era forte. É que parece que quanto mais levamos na trombeta, mais nos esticamos para dar as fuças ao murro. E foi quando estava prestes a ter um esgotamento que, ao olhar para o espelho, vi que afinal, a coisa era mínima, nada que um cremezito de supermercado e 4387493 aplicações não resolvam.

E percebi a marosca toda. Portanto, criaturas vis da loja ao lado, peguem em vocês e nas luzes maradas do raio dos vossos provadores, e.... Pronto. Como sou magnânime, vou abster-me de fazer sugestões.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Aos filmes que faço, já devia ter ganho qualquer merdinha...


Eu gostava de escrever qualquer coisinha realmente interessante, minimamente engraçada, como é o meu estilo... Mas infelizmente e para mal dos meus pecados, não tenho andado com grande vontade para cá vir depositar o que vem tropeçando aos trambolhões pelo meu encéfalo ultimamente. Porque são pensamentos meus, idéias diarréicas que me assolam, que iriam, no fim de contas, pôr a nu (não, não delirem, que sou muito magra) uma XS que não me apetece mostrar.


Têm havido grandes sessões de verdadeira pancadaria nas minhas entranhas. E este folhetim trágico-marítimo só me acontece quando começo a pensar em coisas que não devo... Quem me ouvir ou ler há-de pensar que a minha conta bancária passou a estar com saldo positivo permanente. Não. Continuo a mesma tesa de sempre, sem cheta para mandar cantar um cego. Só acumulo mais um pensamento de merda na cabeça. Só isso.


E é assim, a vidinha. Aquela emoção: comer, dormir, trabalhar e pensar em merda.


Volto assim que o picheleiro vier desentupir o esgoto.



domingo, 24 de maio de 2009

Regra nº 1: nunca arruinar um sonho


- Mamã, quando é que as minhas mamocas vão crescer?


- Quando fores maiorzinha, Laura.


Não fui capaz de lhe dizer que, a tomar em consideração a lei da hereditariedade, esta será uma questão que ela colocará até ao fim da sua existência...